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Folha de SP
Publicada em 17/08/2009 09:51:44
  

"Rejeitados", vagões de trem viram sucata

Rejeitados no processo de privatização das ferrovias brasileiras, há mais de dez anos, vagões de trens abandonados se tornaram um amontoado de sucatas incômodo para moradores de São Carlos e Barretos.

Nas cidades, queixas de que os vagões são usados para consumo e tráfico de drogas, como esconderijo para fugitivos e locais de prostituição são um reflexo da insegurança gerada por eles, que já simbolizaram o progresso de cidades do interior no século passado.

Em São Carlos, as dezenas de vagões de carga enfileirados se perdem em meio ao mato alto. Eles foram deixados no pátio atrás da antiga estação da cidade, onde hoje funciona um órgão cultural da Prefeitura de São Carlos. Vizinho do local, o assessor contábil Renan Lobato, 20, disse que ali é comum a presença de usuários de drogas, o que acaba por atrair também traficantes. Para ele, pessoas que se abrigam no local também são um problema. À noite, ninguém passa por ali.

Em junho, um morador de rua foi morto na área do antigo pátio ferroviário por outros dois moradores de rua.

Autor de um requerimento que pede a retirada dos vagões, o vereador Antonio Carlos Catharino (PTB) coleciona notícias de crimes como furtos, roubos e agressões cometidos nos arredores da antiga estação. Como é que transformam uma cidade num depósito de vagões abandonados?, questiona o vereador. Uma das medidas urgentes defendidas por ele é, ao menos, o corte da grama que cerca os vagões.

Situação parecida é vivida por moradores da área da Colônia Fepasa, próxima à antiga estação ferroviária de Barretos e também de um terreno onde cerca de 20 vagões foram deixados. Aquilo lá serve para o pessoal usar droga. A gente tem medo, porque pode trazer perigo para nossa casa, disse o pedreiro Mário Fidélis, 52.

Além da insegurança, ele cita outros riscos: tem alguns deles [vagões] que estão caindo. As crianças brincam lá e podem se machucar.

Segundo Geraldo Godoy, assessor da ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), os vagões não interessaram às empresas que ganharam a concessão dos serviços ferroviários na privatização de 1998. Por isso, foram analisados e descartados. A inscrição devolver em cada um mostra a decisão que lhes conferiu um destino incerto.

O reaproveitamento de alguns desses equipamentos é improvável. A característica das principais cargas transportadas na região -álcool e grãos- dispensa vagões de carga como os de São Carlos e Barretos. Além disso, os rejeitados têm capacidade menor do que os usados hoje pelas empresas.

Segundo a legislação que extinguiu a Rede Ferroviária Federal, esses vagões, assim como os bens da antiga estatal não incorporados na privatização, devem ser inventariados e repassados a outros órgãos, como o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre). Esses órgãos devem leiloá-los ou reaproveitá-los -no caso das estações, podem se transformar em museus.

O processo, porém, é burocrático. A Folha entrou em contato com a inventariança da extinta Rede Ferroviária Federal S. A., que não soube informar quando os vagões serão removidos. A orientação foi procurar o Dnit, que recomendou, por sua vez, contatar a inventariança. No órgão, de novo disseram não ter informações.

Ribeirão prevê usar acervo para instalar Museu do Trem

Outras cidades da região também estão à espera de soluções para vagões de trens e objetos não aproveitados com a privatização da rede ferroviária, em 1998. São os casos de Ribeirão, Araraquara e Bebedouro.

Nessas cidades, porém, os equipamentos ficaram guardados em locais cercados, de acesso restrito, diferentemente de São Carlos e Barretos.

Com ao menos parte do patrimônio da rede ferroviária resguardado, Ribeirão, Araraquara e Bebedouro têm planos de utilizar o que sobrou de objetos, equipamentos e estrutura física para preservar a memória desse tipo de transporte.

Em Ribeirão, o Instituto História do Trem fechou acordo com a prefeitura para instalar, na antiga estação do Ipiranga, um Museu do Trem, com acervo restaurado da antiga empresa que fazia o transporte na linha da Mogiana.

A secretária da Cultura de Ribeirão, Adriana Silva, diz que a prefeitura intercedeu para que a inventariança fosse agilizada -o que já foi feito. O próximo passo é conseguir que parte do patrimônio seja cedido ao poder público, para que seja iniciada a instalação do museu. Os recursos, diz, devem vir de linhas especiais de crédito, mas empresas também serão procuradas.

Empreiteiro mora em vagão abandonado em São Carlos

Durante a maior parte do dia, o empreiteiro Paulo Getúlio de Freitas, 50, está dentro de um trem de passageiros. É em um vagão que funciona seu escritório, onde são feitas suas refeições e lavadas suas roupas. Na cabine do trem, Freitas também tem sua cama, utilizada 21 dias por mês.

Nessa relação, porém, quem mais se locomove é o empreiteiro, que todo mês faz a viagem de volta para casa, em Santa Maria (RS). O trem permanece parado, no pátio da antiga estação ferroviária de São Carlos, onde Freitas está hospedado há três anos, desde que veio para o Estado de São Paulo prestar serviços para a ALL (América Latina Logística).

Com Freitas, vieram do sul do país 22 funcionários, que trabalham em reformas e manutenções de pontes ferroviárias. Todos os funcionários ficam alojados nos vagões, nas cabines que um dia foram reservadas aos passageiros.

Para Freitas, que é ex-funcionário da antiga Rede Ferroviária Federal, a vida nos vagões é mais confortável do que em um quarto de hotel. "Aqui a gente tem mais liberdade, tem toda a infraestrutura", afirmou.

Os dois vagões utilizados pelo empreiteiro e seus funcionários -um deles somente com cabines para passageiros, com capacidade para 19 pessoas- foram cedidos pela ALL. Além dos quartos, a maioria deles com TV, possuem ampla cozinha, banheiros com chuveiros aquecidos e uma lavanderia improvisada.

O único incômodo, de acordo com Freitas, é a vizinhança. Os vagões de carga abandonados na antiga estação, onde "se vê todo tipo de coisa", ficam a poucos metros de onde está alojado com seus funcionários.

"Tem o movimento do pessoal, mas nós ficamos na nossa, não mexemos, e eles respeitam", afirmou.

Os vagões-alojamentos ocupados ainda têm capacidade para se locomoverem pela linha férrea, com algumas restrições, segundo o empreiteiro. Mas as 36 horas de viagem de volta para sua casa em Santa Maria, todos os meses, são percorridas de ônibus mesmo.


 

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